Poemas de RITA DE CASSIA MESQUITA TALIBA

Veja um grafo dos poemas de RITA DE CASSIA MESQUITA TALIBA

PRETEXTO

Rita Taliba Gerar poema da máquina
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PRETEXTO


Preciso de um pretexto
- para não ler o texto
- para escrever o verso
- para rever o gesto

Preciso, urgentemente, de um prexto
 - para perder a hora
 - para viver o agora
 - para entender o fim

Preciso, mais que nunca, de um pretexto
 - para ir mais a fundo
 - para culpar o mundo
 - para gostar de mim
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ESTRANHAMENTO

Rita Taliba Gerar poema da máquina
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ESTRANHAMENTO

Estranho, quando amanhece, 
O estalo do meu joelho.
Como se eu nada soubesse,
Me estranho, também, no espelho.

Estranho acabar o dia,
Como se tudo existisse.
Penso que a vida é tardia:
Sou o coelho da Alice!

Estranho quem reconheço,
Nas fotos e nas mensagens.
Estranho um novo começo
Com os mesmos personagens.

Estranho a palavra doce:
Chega-me como um zumbido!
(Estranho, como se fosse,
Tudo o que eu já tinha ouvido).
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DEIXEM-ME QUIETA, AQUI EM CASA

Rita Taliba Gerar poema da máquina
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DEIXEM-ME QUIETA, AQUI EM CASA

Deixem-me quieta, aqui em casa
Nada tenho para dar
Nada! Daqui para o mundo,
Porta da frente pro fundo,
Da tela pro seu olhar

Deixem-me quieta, aqui em casa
Nada poderei levar
Da minha casa pra rua
Da minha vida pra sua
Daqui pra qualquer lugar

Deixem-me quieta, aqui em casa
Nada posso acrescentar
Aos animais, às pessoas
Às coisas más e às boas
Aos dias que irão passar

Deixem-me quieta, aqui em casa
Já nem posso mais andar
Todo passo meu é falso
Sangra o meu pé tão descalço
É aqui que devo ficar
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O CORPO

Rita Taliba Gerar poema da máquina
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O corpo é só um corpo
O corpo não é amor
Aceitar que é assim e pronto
Aceitar e saber onde pôr:

Onde pôr o corpo que não tem mais vida,
Onde pôr a vida que não tem amor.
Onde pôr o amor que o corpo convida,
Quando ganha corpo a dúvida, senhor?
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POEMA BORRADO

Rita Taliba Gerar poema da máquina
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Copo d'água caiu em meu poema
Borrou toda minha caligrafia
Ainda me é possível ler o tema
Mas tanta água estragou a poesia

Tento escrever de novo, outro formato
Quem sabe uma crônica narrativa?
Mas, se tento narrar um simples fato,
Sempre mato o que, em mim, me deixa viva

Penso que aquele borrão azulado
Ainda pode enfeitar minha parede
Mas a água, do copo derrubado
Não poderá matar a minha sede

Fico tentando achar a utilidade
De um poema borrado e seu papel
É melhor amassar minha verdade
Do que embrulhar palavras a granel
 
Deixo, pois, afogar-se, o meu poema
Incapaz de salvar a poesia
Quem poderá julgar medida extrema
Até levar um banho de água fria?
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INFERNO ASTRAL

Rita Taliba Gerar poema da máquina
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INFERNO ASTRAL

Sonhei que estava vacinada
Corria livre pela rua
Só eu que estava imunizada
E era eu que acendia a lua 

Tinham me dado esse poder
De fazê-la cheia ou minguante
Eu esperava o anoitecer
Pra deixar o breu cintilante

Mas mesmo com o céu bem aceso
A cidade estava vazia
Passei a sentir todo o peso
Das noites e da astrologia

Tentei abrir mão do meu posto
Ninguém na cidade queria
O cansaço estava em meu rosto
Nem mesmo escrever conseguia

E assim, numa noite esquisita
Não fui! Deixei todos no escuro...
E uma voz (pareceu bem aflita)
Veio me chamar pelo muro

Não vou! Respondi, decidida.
“- Só vim pra saber se está bem
Senti falta da luz, da vida
Que a tua energia contém.
Sem medo da noite ou do escuro
Queria saber só de mim
Cedi, sem pensar no futuro
Ou no meu passado sem fim

Do vírus, sabia o segredo
Voltei a escrever, fiz um verso
Nós dois nos beijamos sem medo
E a lua acendeu pro universo
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