Eles disseram "Ano que vem em Jerusalém"

E sim, eu vim
No frio desolador que sempre me adoece

No gelo frio que vem dos montes,
Me desesperei

Eu amei
Amei em Jerusalém 
Sim, eu amei

Senti o gelo frio de uma geração
Que só faz o que lhe convém
Não ama a ninguém
Mesmo aqui em Jerusalém

Então, em Tel Aviv eu me perdi
Sim, eu me perdi
Eu me perdi do amor

Daquilo que eu sempre achei que fosse o amor
Mas eles disseram "não é mais assim"
Nem aqui
Em Jerusalém 

E eu vi o mar
E mesmo assim eu não senti mais 
Eu não senti mais o amor
Depois que voltei de Jerusalém não senti mais

Eu ri
Eu chorei
Eu vivi

Mas e o amor?
Não, o amor não me quis
Isso eu não encontrei
Nem em Jerusalém
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a vida vira,
ao longe ou logo ali
aos poucos ou num passo
a vida vai,
de dois surge mais um
num susto são seis
a vida vem,
mas então depois
invariavelmente,
novamente, somos
um.

essas viradas na via
de reis, rainhas
sua ou minha
é o que queremos que no logo ali
logo não venha
ou se quando indo aos poucos
se vá de uma vez.
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Saudade do poeta III

Marcelo Vieira Graglia Gerar poema da máquina
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  •        
Em memória do poeta paulistano Alberto Gattoni

Alberto, decididamente, não era um sujeito fácil.
Se contrariado, mandava logo um Manuel Bandeira e, de peito estufado, trinava: 
- Nada como um modernista para quem não gosta de levar desaforo para casa!

Alberto era valentão, não há dúvida.
Se chamado para a briga… cruzes... não tinha meio termo, era violento:
Sacava ligeiro um Drummond e mandava ver…só pena que avoava...

Alberto não tinha compaixão, ah, Alberto!
Quando desafiado numa querela, afiava sua Lispector e não havia Clarisse que pudesse contê-lo.
E nem Cecília e nem Meireles.

Mas, diga-se a verdade, Alberto era um romântico.
Colecionava Bilacs e Vinicius, aos montes. Regava todos os dias.
E sempre que sua paixão por ele passava, Alberto Cora, Coralina, Corava.
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Poema mundano

Manoel Sobrinho Gerar poema da máquina
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  •        
Componho o mundo na Palma da mão e o carrego nas costas tudo de mim.
Sinto cansaço? Nego! Não nego! Sempre nego!
Meu mundo é vasto,
Mas nem tanto assim.
O pensamento me leva a lugares diversos, como os que já conheci, muitos em vão.
Neles, queria apenas pensar e fazer versos,
Que pedem ser desagradáveis,
Porém intensos.
O que tenho no mundo,
Não tenho apego,
Penso muito, por isso viajo livre, enfim!
Busco o improvável,
Lugares imensos.
Particular meu mundo?
Digo que sim.
Criações sem valor?
Digo que não.
Pensar em nada?
Penso, não penso.
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VIVA PELAS MELHORES LEMBRANÇAS

Benito Campos Gerar poema da máquina
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  •        
VIVA PELAS 
MELHORES LEMBRANÇAS
Sem rabugices e lamentos
Não seja um velho lamentoso
Pois senão será permanente
Desgostoso...
Não dê a cara a surra e ao relho...
Pois estará cultivando pela vida 
nenhum gosto...
Sendo intolerante e pentelho.
Vivenciando, mitigando o contragosto
Semeará dores e desencantos.
Aconselho; 
Fujas do triste e do pranto
Abra na vida atalhos de encantos
Faça-se um passarinho, cante
Voe e de asas ao seu lado de criança
Terás sono, terás sonhos, se fará risonho 
Terás sempre ao teu lado, a todo instante, 
Bons amigos e suas melhores lembranças...
                                                     Benito Campos 
                                                                23122020
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Vista-se de mim

Neide Ponzoni Gerar poema da máquina
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  •        
Vista-se de mim... Percorre meu corpo com meus lábios nus 
Com o teus beijos, 
Percorre a minha pele tecendo
as tuas mãos em cada recanto do meu corpo 
Desliza no meu íntimo
Invadindo os meus segredos, 
Neles guardarei um pedaço de ti
No meu intimo ainda há por revelar...
Adormece em meu sonhar 
Sentindo o liquido do meu corpo 
Percorre meu corpo com o marrom dos teus olhos 
Soletro versos esquecidos 
Na penumbra do teu sentir
Deito o meu corpo nu 
Nesta espera infinita da sua vinda !

Neide Ponzoni
Bjos meus.
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Entre tramas e fios os versos verteram no meu rio
Fluidez
Chorar um rio de lágrimas para desaguar na alegria...
A vida é uma grande correnteza de águas ocilantes...
Nem sempre o rio nos leva em direção aos nossos desejos...
Mas certamente nos ensina no caminho percorrido e escolhido por ele a plenitude de se renovar!
Flui rio e me mostre sua grandeza
Flui rio nessa vida de incerteza
Flui rio e me mostra a beleza
Flui rio com suas águas turbulentas
Flui rio... Flui... 
E através de tuas águas demostra sua potência
Flui rio dos meus olhos e transluz a luz que flui a vida
Flui rio, flui, flui....
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É um sonho…
Voltar no tempo recuar, 
Saber escolher os verdadeiros amigos e com eles partilhar
Os melhores momentos e depois viajar
Para um lugar onde ninguém possa me encontrar
Procriar e depois voltar
É um sonho, 
Aterrar nos States na cidade dos sonhos New York
Assinar um contrato ter um work
Graças a um hit com a Beyoncé
Ter o meu próprio onze
No game internacional
A representar o puro rap nacional
É um sonho, 
Nas ruas do Brooklin a improvisar
Com o Buckshot e o P, e  na Def Jam escalar
Impossível de acreditar
Eu num jantar ao lado do Obama a me paparicar
É um sonho,
Não esquecer das minhas raízes atuar em Páris
No topo da Torfel, a causar-te vertizes
Com uma mensagem profunda sarrando cicatrizes
É um sonho
Criar a minha própria história
No tempo e no espaço com aquela trajetória
Do r.a.p da glória ao lado da vitória
Estimulo a memória, 
Transação de palavras na minha caximónia
É um sonho, 
No meio de uma grande multidão
Me expressando com emoção
Com microfone na mão
Pela revolução
É um sonho
Duvido, que seja realidade
Eu longe das grandes
No terraço da felicidade
Refrescando-me com a brisa da liberdade
É um sonho…
Deitado na esteira
Vejo Samora e Mandela
Com marcas de guerra
Salvando a nossa terra(ÁFRICA)
É um sonho
Juro, não é um pesadelo
Vejo um anjo com isqueiro
Iluminando-me com zêlo
É um sonho…!
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SIGNOS DE PASSAGEM

Sidnei Olivio Gerar poema da máquina
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  •        
a tarde se estende 
feito um rio canalizado 
em avenidas perdidas. 

corredores que emendam
esquinas,  refúgios,
amores vãos, 

verbos tecidos em lençóis 
de hotéis baratos.
anseios mal intencionados, 

carregam imensa questão:
aqui estamos ainda 
incertos do que será - 

manter a forma 
ou primar a rima?
faço as pazes com a dúvida. 

deixemos tudo no chão,
esse acúmulo de luares
e palavras infames. 

versos repetidos 
habitando nossa boca
como uma memória sem ruído. 

sentença de existir 
para entender o possível:
transformar arte em lugar. 

quadro que sustente
o corpo desvestido 
de rosto ou nome. 

DNA da saliva presa
numa xícara de café
ou na tampa da caneta. 

quem sabe de nós 
imersos na cidade
a ouvir oráculo das runas? 

no futuro da hora
pisamos sobre as coisas
que já não cabem no mundo.
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Quando Penso em você

Luciane Peixinho de Souza Gerar poema da máquina
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  •        
Quando penso em você, me lembro de todas as maravilhas existentes no universo.

Lembro que você, é a razão de tudo que eu sempre gostei, você é um pouco de cada maravilha do mundo.

Você está na música, na arte, no sol, no mar, na lua, na natureza, na compaixão e empatia pelo próximo e na sede por justiça.

Você sempre foi e será minha inspiração e força diária, eu te amo imensamente...

Feito e dedicado ao meu grande amor Beto Firmino
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Voltei a Israel

Garzón Medina Gerar poema da máquina
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  •        
Voltei a Israel e encontrei algumas mudanças
Mas será que foi mesmo Ela que mudou ou será que fui eu?

Voltei para o Meio do Mundo
No ponto de intersecção entre o novo e o velho

Existe um cheiro no ar
Um cheiro que não sei o que é, nem de onde vem, mas que só Ela tem

Já procurei, mas não encontrei 
Não é um cheiro que se encontra para vender
É o cheiro do ar,
Do mar,
Das águas,
Do suor 

Mas dessa vez eu quase não senti o cheiro
Ele estava discreto, escondido entre suas ruínas

Eu não gosto de deixá-la e nossa despedida é sempre muito triste
Mas eu sempre volto
Eu nunca sei quando será a próxima vez

Mas eu sempre volto para o Meio do Mundo
Para o Meio Oriente
Para o Oriente Próximo
Que eu gostaria que fosse mais próximo

Mas quando ela precisa de mim eu cruzo mares, montanhas e desertos para vê-la
A minha Israel
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o que não cabe no poema

Deborah Brum Gerar poema da máquina
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  •        
O ódio não cabe no poema
O ódio branco 
no copo 
no leite
o copo 
o leite
o leite transborda
O ódio branco não cabe 
no poema
É preciso estender o poema.
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O poema começava como uma espécie de deslembrança, um olvido
Na penúria daquele quarto que era sua clausura
O papel, já velho, de tez amarelada
Se regalava com as letras, que eram o que sobrava de sua indigência
 
Naqueles tempos bicudos
Em que se vivia das mãos de Deus
A penúria não dava boa farinha
E em nada atinava com seu jeito farsudo
 
Pelas frestas da janela carcomida
Se ouviam as baforadas de ira
Que empesteavam as ruas
Cheias de gente a viver na pindaíba
 
Mas o matuto escrevia, agourento
A vaticinar a sua profecia
Se esquecendo da sua própria miséria
De sua completa incapacidade de resolver a própria vida
 
E da sua misantropia transbordavam palavras de ressentimento e de ódio
E, assim, ele comia-se de raiva
Enquanto chispava impropérios
Em plena Sexta-Feira Santa
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O MAR (DE MIM)

Lucivaine G Saraiva Gerar poema da máquina
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  •        
Hoje falei sobre você, mar!
Falei que te amo, mas morro de medo de ti.
Sua beleza e liberdade, bagunçam meu pensar.
 
Ah! Você vem brando, cheio de jeitos
Mas a qualquer toada do vento,
Fica grande, age por si e sem temperamentos.
 
Não te controlo e meu sofrimento recai
Por não pertencer a mim
O modo que vem e vai.
 
Disse também que gosto de sua imensidão,
Mas não me atrevo ir além
Do quente, do manso e do meu pé firme ao chão.
 
Ah! Mar!
Por você existe algo profundo
Que só se arriscando muito, é possível enxergar.
 
Tu me vês, me chama suavemente
Meus temores me seguram,
Resistindo a esta corrente.
 
Eu sei que consigo, tantos anos que te conheço
Sei que não irá me maltratar
Vai ser só um caldo, um breve recomeço.
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Guido Frederico João Pabst

Gere Gerar poema da máquina
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  •        
Rua com nome de gente, 
Gente na rua, sem nome nem lar?
Guido, botânico que estudou a vida. 
Alguém da rua conhecia o Guido?! 
Não, ninguém! Vidas que o desconhecia. 
Que viva à rua, que rua hein Frederico!
Esconde-esconde, bate-lata, pega-pega, 
Banho de bica, rabeira de caminhão, troca de figurinhas,
Taco e reta: bolinha perdida....
Chute a gol, ou melhor, no portão da “igrejinha”,
Golzinho de pedra, futebol de rua- Pabst.
Aniversários, festas, quermesses,
Na rua João, o povo se entende. 
Brigas cabeludas, bicos que não se bicam, 

Na rua Guido Frederico João Pabst o coletivo se cuidava, algo natural. 
 Antes com pouco asfalto e cimento, mas com muita vida e amor. 
Hoje nem agente nem Guido, rua sem nome e casas sem números!
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Oração de um pecador

NANO Gerar poema da máquina
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  •        
Pai nosso escute 
A minha oração

Pai! Desde a minha nascência
A minha vida repleta 
Está de turbulência
Mas na tua graça 
Tenho na minha consciência
Que a minha vida
Seria uma desgraça
Sem a tua benevolência  

O coração muito dói-me pai
O coração muito dói-me
Por saber que muito pequei
E infelizmente pouco a ti busquei

Peço perdão pai
Peço perdão 
Pelos os meus pecados 
E que não faças menção
De toda a minha transgressão

Pois tenho dentro de mim
Uma alma que muito clama
Que a tua palma
Sobre a minha vida
Continue estendida 

Oh pai! Nessa triste e curta caminhada 
Nessa triste e curta caminhada
Que é a vida
A imundice a mim persegue
Mas na tua graça
Não me consegue
Porque de perseverança
O meu coração repleto está 
E de gratidão o meu cálice transborda

E a ti agradeço 
Pois não mereço
Mas tenho

Mesmo não merecendo 
Tenho o teu infinito 
E ousado amor
Mesmo que o mundo
Só me transmita dor

E o teu amor pai
O teu amor 
É o que faz-me insistir 
Em persistir, para não desistir
De existir, e deixar fluir em mim
O teu existir

Que o mundo se ajoelhe a ti
E que a tua graça resplandeça 
Com a tua presença
Que a esperança exalte a tua força
E que ela cresça 
Nesse mundo cheio de crenças

Oh pai! Escute a minha humilde oração
Pois ela vem de todo o meu coração
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Busca

Neide Ponzoni Gerar poema da máquina
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  •        
A leveza da vida parece pesada 
A alegria da vida parece triste 
A graça da vida parece séria.                 A doçura da vida parece amarga 
O riso da vida parece rancor 
O amor da vida parece solidão.
O que fazer então?
Buscar dias de paz...
 É, aquela paz simples, despachada, preguiçosa...
 A paz dos dias cansados, encurvados pelas cargas da vida,
 Dos que tem sempre os pés doloridos da caminhada. 
Bjos meus . 
Neide Ponzoni
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Gravidade

Beatriz Di Giorgi Gerar poema da máquina
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  •        
GRAVIDADE
Acordo de ponta cabeça e sinto o tamanho da gravidade.
Sem disfarce possível a época é grave, sisuda, preocupante.
A gravidade, força de atração em si, tende a nos escravizar.
Paradoxo em sí, gravidade, em sentido bíblico, se apresenta sincera e realizadora de obras. Que obras?
Em plena e desconhecida gravidade, atraída para o centro, sinto-me engravidada do novo.
Que vingue a vulnerabilidade, que vingue a leveza como resposta, como ciclo. 
Que dias leves e graciosos venham como filhos e filhas dançantes e risonhas da gravidade.
Que venham com o vento!
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Mensageiro do Caos

Well Calcagno Gerar poema da máquina
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  •        
O poeta é o mensageiro 
Do caos.
A marreta que rasga 
A face da existência 
Com suas caras feias
Da morte e decomposição 
Da fome e da escuridão 
Do corpo e da alma
Arrebenta as paredes 
Dessa realidade torpe 
Onde um louco 
Domina as mentes 
De milhares 
E os ventríloquos do poder
Puxam as cordas de multidões 
O poeta é o mensageiro Do caos
O sátiro louco 
O Dionísio que passeia 
No campo da metafísica 
É Prometeu com a pira sagrada
Que volta para incendiar o mundo.
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Pé tesão

Bruxinha da Lapa Gerar poema da máquina
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  •        
Quero os teus pés na minha boca
Lamber os teus pés, 
deixar voce louca! 
Quero os teus pés nos meus cabelos
me fazendo carinho,
me pisando de mansinho
Teus pés são pequenas miragens
e a minha sacanagem é a eternidade!
Quero os teus pés nas minhas pernas,
acaricie o meu sexo, 
me enlouqueça com os teus pés!
Pés, meus pés!
Pé de laranja-lima,
pé de abacate,
pé de tomate...
Pé tesão
é o pé do meu amor,
é o pé da minha paixão!

Janaina Miranda
RJ 1997.
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