Overdose de pensamentos

GOMA Gerar poema da máquina
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estou aqui
Toca a cantarola 
Coelhos saem da toca
Meus amigos estão azuis
Quem são eles?
Isso é um peixe 
Ou é um avião 
"Você está linda hoje"
"Me emprestar seus olhos"
O rinoceronte ri
Enquanto me empurra pro coqueiro 
Não entendo o que tanto vê
Nessas bainhas de gordura 
Que tanto lambe
Seriam minhocas no meu cabelo?
Coça, eu queria coçar 
Mas meus braços brincam com o rabo do moço 
"Quem é você??"
Doido maluco
Corro mas o abismo tá perto
Preciso engatinhar
Me arranho nos espinhos
Não
Pernas
Onde eu estou?
Eu quero ir pra casa 
Lar de ninguém 
Prefiro hospitais 
Gosto de ser cuidada 
Posso ficar nessa grama?
Está tão macia
Parece pele
Parece abraço
Lembra algo que nunca conheci
De grandes três portas
Onde todos sabem o hino nacional
E são engomadinhos 
Tagarelas
Queria ser menos tagarela
E falar mais
Nesse lar talvez 
Um dia
Seja quem quer que seja
eu?
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A Sede Infinitiva

André Vaz de Campos Tourinho Gerar poema da máquina
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A Sede Infinitiva

Fulminante, quando não pólvora
Enraizante, que não um sorriso
Gasta como todas as metáforas
Instante em que me reviro
Sem ver ou ter onde transpô-lo
Este imenso adentro me ocluindo
Mais que engasgo ou enjoo
Ácida falha, a busca de curar isto
Como quem aponta a ponta
Da flecha curva ao próprio íntimo
E, ainda assim, beirar certo alívio.

05/06/2021 - Salvador, BA
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Se é que me entende

Guerreira Gerar poema da máquina
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As vezes você só precisa de um tempo pra pensar
Um espaço para analisar 
E simplesmente ficar 
Sem solução 
Sem problemão 
Sem espaço 
Sem tempo
Sem vida 
Sem batidas no coração 
Sem sangue pulsando 
Sem pulmões respirando 
Sem receber impulsos nervosos
Se é que me entende 
Preciso de um tempo com uma amiga 
Só uma amiga 
Uma antiga conhecida 
Que já levou parte da minha família 
Se é que me entende 
Entende?
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Deixa-me te amar

Hélder Ngulele Gerar poema da máquina
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  •        
Deixa-me te amar
Deixa-me te amar,
Como a suruma ama seu fumador,
E vai cantando entre os ares,
Fuma-me, sinta-me fluir em seu corpo,
Deixa-me chegar a sua alma,
Deixa-me tocá-la e mexer seus sentidos

Deixa-me te amar,
Deixa-me vaguear nessa dor,
Dor tristonha de amar o odor,
De seus passos e  suas vestes,
Oh como cheira-me suave,
Sim, deixa-me amar-te love,
Deixa-me segurar tua mão,
E levar-te comigo nesta canção


Deixa-me te amar,
Todo sombrio amando tuas sombras,
Teu feitiço, teu delírio,
Deliras tão silenciosa,
Caminhas toda pretensiosa,
Bela e cheia de realeza,
Oh o mundo gira aos teus pés,
Mulher, teu feitiço é forte
Teus olhos tem poder

Deixa-me te amar,
Sorumbático? Ou melancólico?
Amo-te bebendo o álcool
Pura bebida, seca dos sentimentos,
Deixa-me embriagar na bebida,
Deixa-me fazer a história,
Queira ou não, continuo na escória
Te amando em cada santo dia
Podes por favor, dar a este mendigo,
Algumas migalhas de sua atenção,
Já que o seu coração,
É demais para ele,






Deixa-me te amar,
Liberte-me dessa censura,
Meu coração te mesura,
Te ama com tanta fervura,
Senhora, deixe teu servo tocar seus pés,
Lavá-los com eterno amor,
E limpá-los com terna sinceridade.
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Sou quem sou
Mas não sei quem sou.
Sou
Eu
Quem?
Sou...
Sentimentos, emoção
Razão, sonhos...
Decepções, alegrias,
Certezas, desejos.
Desejo de saber quem sou.
Sou quem busca saber, conhecer, descobrir
A essência de ser.
Busco o âmago da VIDA e somente aí saberei quem de fato sou.
Mas quando o desvelo se der já não serei.
Sou quem sou.
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Saudade do poeta III

Marcelo Vieira Graglia Gerar poema da máquina
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Em memória do poeta paulistano Alberto Gattoni

Alberto, decididamente, não era um sujeito fácil.
Se contrariado, mandava logo um Manuel Bandeira e, de peito estufado, trinava: 
- Nada como um modernista para quem não gosta de levar desaforo para casa!

Alberto era valentão, não há dúvida.
Se chamado para a briga… cruzes... não tinha meio termo, era violento:
Sacava ligeiro um Drummond e mandava ver…só pena que avoava...

Alberto não tinha compaixão, ah, Alberto!
Quando desafiado numa querela, afiava sua Lispector e não havia Clarisse que pudesse contê-lo.
E nem Cecília e nem Meireles.

Mas, diga-se a verdade, Alberto era um romântico.
Colecionava Bilacs e Vinicius, aos montes. Regava todos os dias.
E sempre que sua paixão por ele passava, Alberto Cora, Coralina, Corava.
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Além da matéria

Luciane Souza Gerar poema da máquina
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  •        
Quem consegue enxergar além da matéria, enxerga perfeitamente a essência da alma de cada ser.
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O CORPO

Rita Taliba Gerar poema da máquina
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  •        
O corpo é só um corpo
O corpo não é amor
Aceitar que é assim e pronto
Aceitar e saber onde pôr:

Onde pôr o corpo que não tem mais vida,
Onde pôr a vida que não tem amor.
Onde pôr o amor que o corpo convida,
Quando ganha corpo a dúvida, senhor?
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Coisas de criança

Sonia Salim Gerar poema da máquina
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  •        
Tentativas frustradas de retirar o anel
do dedo arroxeado
A menina
e sua arte silenciosa
Mãe e crianças assustadas
sabão e novas tentativas
decepção
impotentes socorristas domésticos
desespero
Até que...
o hiperativo teve uma ideia
alicate de unha
corte do anel
- a solução -
Anel cortado
problema resolvido
dedo recuperado
Sustos normais
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Reminiscências do útero

Beatriz Di Giorgi Gerar poema da máquina
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  •        
Reminiscências do útero

Nossa história é parecida.
Tornei-me pessoa na água 
e desde então vivo do ar,
vivo no ar.
A vida é uma onda gigante
ora se espalha, ora retrai.
Ora a vida me leva, ora levo ela.
minha presença não faz diferença, exceto quando o centro da terra balança como um acalanto uterino, quando não respondo por mim.
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Inocente

Ricardo H. Gerar poema da máquina
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  •        
Tenho um rosto
sou sete faces
como gato
caço rato e vivo em sapato. 
Vivi pouco
passei por bocados
vivi pouco, e
teria vivido menos ainda
caso o vento voltasse a norte. 
Dentre veias e artérias 
sou sangue puro
dos guerreiros de família
Mas sangue puro é sangue velho
E sou inocente, corpo discente que não faz em esmero.
Em músculos fortes
sou coração fraco. 
Mas caso queira um petisco 
saiba que não sou quem gostaria
matutei; roubei tempo do sono
e sofri em devaneio
tentando descobrir 
quem preferiria de ser
Pois poeira voa em ventos certeiros
e eu sobrevoo boatos alheios.
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Nascemos sonhando, crescemos sonhando.

Vivemos a vida inteira sonhando, lutando e realizando .

São os sonhos que dão sentindo a nossa existência.

Sem eles não faz sentido viver, é preciso lutar com vigor e de corpo e alma por aquilo que faz o teu coração e alma gemer.

Não existem sonhos estranhos e impossíveis, o que existe são mundos e realidades diferentes, dentro de cada ser , por isso lute sem temer para o ser o melhor para você!
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ESTRANHAMENTO

Rita Taliba Gerar poema da máquina
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  •        
ESTRANHAMENTO

Estranho, quando amanhece, 
O estalo do meu joelho.
Como se eu nada soubesse,
Me estranho, também, no espelho.

Estranho acabar o dia,
Como se tudo existisse.
Penso que a vida é tardia:
Sou o coelho da Alice!

Estranho quem reconheço,
Nas fotos e nas mensagens.
Estranho um novo começo
Com os mesmos personagens.

Estranho a palavra doce:
Chega-me como um zumbido!
(Estranho, como se fosse,
Tudo o que eu já tinha ouvido).
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desobrigações

Mariana Reis Gerar poema da máquina
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  •        
não dar nomes as coisas

mas tentar:
criar palavras para
descrever o deitar do sol no rio

imaginar o que as maritacas fazem 
no topo das árvores
quando se encontram alvoroçando a
linguagem

enxergar o rio pingando no céu
e fazendo das nuvens
relvas

contar as libélulas que pairam
no tempo
perceber que suas asas
são douradas
talvez roxas

desconfiar que o horizonte
termine em algum lugar

desenhar um poema
de (in)finitude

imaginar que
na verdade tudo isso
está no ponto convexo das
descrições

permanecer no
inverso.
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Capa Vermelha

goma mascada Gerar poema da máquina
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  •        
Há um livro a menos na estante 
Nela ainda há vários outros 
Romances, tragédias e contos
Mas continua com um buraco 
Onde havia o livro que sumiu da estante 

Clássico sobre o ato da escrita 
Me conquistou à primeira vista
Porém me encontro míope 
Quando não o percebo mais 
O buraco que preenchia é limitante 

Ninguém nota o que falta 
Nem mesmo o que há
Não queria esse triunfo de ver 
Muito menos ser a dona 
Da maldita estante que
Um livro a menos nela há
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Gerações

Carol Aspen Gerar poema da máquina
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  •        
Um olhar tão amoroso
O abraço aconchego
Um controle do alvoroço
De um coração sem medo

Ouvir sua voz durante os dias
Ver sua face contaguante
Acalento pro coração
Mesmo fisicamente distante

Referencia do amor
De suporte, de carinho
Faz mais leve minha dor
Coração menos vazio

Semore história pra contar
Ou conselho relevante
Ela ensina o que é amar
Um troca tão constante

Sua risada tão gostosa
Que colore o meu ver
Sua alma piedosa
Intensidade de querer bem
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Sinto muito… 
Sinto ódio, rancor
Tédio, pavor do brilho de uma flor
Medo da dor, 
Do prazer do verdadeiro amor
Eu sinto o fardo dos oprimidos
Os bastardos, os excluídos
Mas também sinto alguma angústia
Algumas dúvidas,
Será que a paz vai bater em minha porta?
Será que as barragens da vida trazem comportas?
Sinto muito,
Sinto o fim do mundo
Sinto o peso do submundo
Eu sinto muito,
Sinto o escuro do cego
O silêncio do surdo
Quieto como se eu fosse mudo
Irmão, sinto muito…
Sinto pela perda dos nossos heróis
Sentado na praça dos heróis
Eu sinto muito,
São sentimentos do tipo tormentos
Fundamentos sentidos sobre os meus sentidos
Sinto muito…
Na verdade,
Eu sinto que na verdade,
Fundamentalmente não sinto nada
Sinto um vasio literalmente nadando em nada
No panorama da minha existência
Dentro da conferência
Entre a lógica e a minha consciência
Há também abundância de violência
Desculpe, eu sinto muito!...
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Digo que não vou te escrever. 
Não mais.
porque meu coração está com medo. 
Digo-lhe que parto. que vou embora. 
Digo alto e claro: eu não devia e não podia.
Mas minhas palavras já não valem nada. 
porque minhas promessas se dissipam e morrem. 
porque estou sendo guiada por algo que eu não entendo e temo.
por algo que foge das justificativas e ilusões. 
foge e me escapa. foge e me bate. 
Te escrevo, amor, mergulhada no fogo de uma paixão que renasceu estremecendo tudo. 
porque no passado ilógico do tempo eu te amei. 
só que agora, esse passado já não me parece mais tão distante assim. 

Olhe para mim, amor
veja como queimo
veja que sou fogo. 

Queimo na intensidade das palavras que te escondo para te mostrar em um futuro nosso. 
Não. Tudo o que te escrevo é ilícito e impuro: recaindo em uma infinidade de pecados e loucuras, mas eu continuo. 
Continuo, porque te quero e isso vence o puro logismo de nossos dias. 
Então foge.

Foge, amor, que te persigo. 
Foge, entre nuvens e poeiras, que te aguardo. 
Mas torço, para que em cada uma de suas corridas e escolhas 
você dê de frente para esta mulher que te escreve.
Rezo para que em cada uma de suas fugas, você me encontre despida. 
Para que em cada escapatória sua, eu surja.
 
Mas ainda sim, 
desejo que você você fuja. 
preciso que você fuja.
preciso que corra. 
Corra desse amor impuro. 
Corra desse amor renascido do pecado. 
porque eu não fugirei, amor. 
porque eu não tenho forças. 
meu desejo me persegue. 

Fuja, amor, porque sou tua. 
Fuja antes que nossos corpos queimem. 
Fuja. 
Fuja sabendo que te quero
ou fique 
e queime comigo.
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Voltei a Israel

Garzón Medina Gerar poema da máquina
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  •        
Voltei a Israel e encontrei algumas mudanças
Mas será que foi mesmo Ela que mudou ou será que fui eu?

Voltei para o Meio do Mundo
No ponto de intersecção entre o novo e o velho

Existe um cheiro no ar
Um cheiro que não sei o que é, nem de onde vem, mas que só Ela tem

Já procurei, mas não encontrei 
Não é um cheiro que se encontra para vender
É o cheiro do ar,
Do mar,
Das águas,
Do suor 

Mas dessa vez eu quase não senti o cheiro
Ele estava discreto, escondido entre suas ruínas

Eu não gosto de deixá-la e nossa despedida é sempre muito triste
Mas eu sempre volto
Eu nunca sei quando será a próxima vez

Mas eu sempre volto para o Meio do Mundo
Para o Meio Oriente
Para o Oriente Próximo
Que eu gostaria que fosse mais próximo

Mas quando ela precisa de mim eu cruzo mares, montanhas e desertos para vê-la
A minha Israel
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1-Aura;2-Orvalho

VÊNUS Gerar poema da máquina
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Que luzes são essas,
que refletem de ti?
Refletem das frestas, 
de teu coração. 
Resplandecem em teus dias,
Brilham na noite,
Vê-se ao longe, o brilho da luz,
Absorve, transpassa,
vibra,
Com intensidade tamanha,
Que aos olhos de quem vê, 
Ofusca!
De quem é  cego!
Percebe-a!
Que luz é  essa?
Que luz!

2-Orvalho 

Serena a alma que se deleita,
Com a pureza do orvalho da saudade,
Pétalas que se desprendem, 
Com pequenas gotas,
Libertando-se ao vento.
Perfumes intensos
Com que percebe a existência, 
Fica indelével,  suave.
Como se pura fosse.
Soberano,
Livre  e sensível. 
Este é o sentimento da alma,
De que sutil é  a natureza.
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