moto perpetuo

Carolina Rieger Gerar poema da máquina
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  •        
é na minúcia,
vida
é na minúcia
é preciso ter argúcia
e estar sempre desperto
comumente a maravilha
está perto
o dedilhar dos meus dedos
nos seus
é que fagulha a eternidade
na correnteza da tua veia
centelha
nas sutilezas cotidianas
vida
é no conjunto de miudezas
que somos
no olhar, fresta que fisga
e abocanha o mundo
inteiro num instante
no café da manhã
a ânsia de infinitude
no arfar
a vontade inelutável
na palavra mínima
amor

Para Vladimir e Yohan.
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Precisamos falar

®JC21 Gerar poema da máquina
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  •        
Ninguém ousa falar disso abertamente
Enquanto isso 
Milhares de jovens suicidas 
Pulam de ponte.

Me perdi em cortes.

Feridas
À gilete.

Meu irmão, o que está fazendo?
Infelizmente, responde, 
Amenizando 
A dor.


Juventude doente

Morte coletiva

Futuro incerto 
Depressão assassina.


Jovens 
Mortos

Até quando o rádio
Informará mais um 
Suicidio?

Precisamos falar sobre isso.

Noites em escuro 
Jovens morrendo.

Ninguém fala nada.
Público anestesiado.
 Assunto a sete chaves

Mas o mundo lá fora 
Mostra a depressão.
A esperança tá incerta 
O futuro tá mais 
Para cemitério
Do que jovens 
Futuros.


Me perco em escuridão
Fico em silêncio
Em nome dos 
Mortos.
Precisamos recuperar 
Nossa juventude.
Não aguento mais
Meu irmão suicida.
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Quem sou eu?

Guaxi Cow Gerar poema da máquina
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  •        
Apesar  do olhar  vazio, me sinto cheia...
Cheia de emoções, de ideias
Que teimam, que insistem, que rondam meu ser. 

Às  vezes cheia de mim mesma, tão cansada...
Minha mente a milhão não se decide...
Afinal, sou noite ou dia?

Prefiro pensar que sou uma tarde quente de outono
Onde meus pensamentos fluem...
Pensamentos plurais,
Estou em inúmeros lugares,
Sou fluidez, sou vento...
Sou várias em meu pensamento.

E, assim como as ondas do mar, 
Sou o medo de amar.
Como uma onda
Tanto chegar onde desejo.
Mas, logo me disperso
Ao chegar à  praia
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Pontuações sobre o triste mundo do sonho infantil

thalescirico Gerar poema da máquina
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  •        
A sirene tocou às 18; 
Era hora do sono do bicho papão; 
O farol acendeu e as crianças brincaram, pensando que seus sonhos não seriam atormentados; 
Às 22 ele acordou;
O farol foi pra encontrar o caminho, não espantar os pesadelos.
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As sombras da pandemia

Fábio Junqueira Gerar poema da máquina
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  •        
dois peregrinos sentados á sombra do ipê
se não há caminho, caminhantes
sobre o que conversam?
sobre a flor que pousou na minha dor
dor doida
flor do ipê amarelo
caiu no meu caminhar
me fez desenhar das minhas sombras
brincar, desejar, respirar a vida que se segue
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Vaidade proceder sem humildade

Patrick Zapata Gerar poema da máquina
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  •        
Vaidade proceder sem humildade
A vida desvaidosa valorosa
A vida desvaidosa valiosa
Vaidade das vaidades necedade

Vaidade das vaidades veleidade
A vida desvaidosa valiosa
A vida desvaidosa virtuosa
Vaidade das vaidades vanidade

Buscar caliginoso cabedal
Pensando na possível proteção
Engano da vaidade lodoçal

Procura descolar o coração
Deixando o passageiro o temporal
Propenda a permanente salvação
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Correio elegante
recebe e visualiza
e logo responde
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para a garcenha ou vida mística
os trágicos homens no corpo!
não a órgãos, não a vês?
sou feita de tempo e característica

o seu mundo era duas mulheres
é a animação, é a alma
sempre constantemente deveres
as pernas do corpo passam por mim

do tempo temporal saiu perfumado
corpo e cabeça amor calado
neste medo aberto ao amor
que faz do amor apenas um temor

e as epítases são de poema
sobre o mundo e o sistema

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sensações

Ita Liberman Gerar poema da máquina
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  •        
meus olhos sorriem
quando o cotidiano
encontra pequenos prazeres
 
como suave perfume no ar
claridade de fim de tarde
solzinho no inverno
 
como afago no gato
saborear um bom prato
rever aquele retrato
 
minha alma vibra
com a lembrança
que uma música traz
e faz o corpo dançar
 
meu coração sossega
na presença de certas presenças
que espalham paz
despertam um carinho explícito
um bem querer infinito
2
Eu ainda me lembro das partidas
De futebol em nossas avenidas
E lembro das cantigas
Ambições desmedidas
Eu me lembro, 
Sentado no muro da minha vida
Lembro-me daquela batalha perdida
Ainda me lembro
Daquele primeiro beijo
Daquela sensação no início, foi o meu melhor segredo 
Eu me lembro da Martinha 
A babysister(babá) sem calcinha
Eu me lembro, 
Do apoio dos meus amigos de verdade
Após atravessar a ponte da criminalidade
Eu me lembro do fardo da minha bagagem
 Deitado na sauna hidromassagem
Eu me lembro, 
Daquela indiferença
No meio da multidão me sentindo só, daquela ausência
Eu me lembro,
Lembro também da correria 
Logo que inicia o dia
Eu preocupado com o pão de cada dia
Eu me lembro, 
Na varanda com a mão no queixo, 
Foi numa festa de Dezembro
Que melhor driblei e fiz o cesto
Ainda me lembro, 
Mas não guardo mágoas
Cada gota da lágrima
Escor e desagua no meu próprio mar de lástimas
Eu me lembro na montanha tipo monge
A meditar bem longe
Ainda me lembro…
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o que não cabe no poema

Deborah Brum Gerar poema da máquina
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  •        
O ódio não cabe no poema
O ódio branco 
no copo 
no leite
o copo 
o leite
o leite transborda
O ódio branco não cabe 
no poema
É preciso estender o poema.
1
O poema começava como uma espécie de deslembrança, um olvido
Na penúria daquele quarto que era sua clausura
O papel, já velho, de tez amarelada
Se regalava com as letras, que eram o que sobrava de sua indigência
 
Naqueles tempos bicudos
Em que se vivia das mãos de Deus
A penúria não dava boa farinha
E em nada atinava com seu jeito farsudo
 
Pelas frestas da janela carcomida
Se ouviam as baforadas de ira
Que empesteavam as ruas
Cheias de gente a viver na pindaíba
 
Mas o matuto escrevia, agourento
A vaticinar a sua profecia
Se esquecendo da sua própria miséria
De sua completa incapacidade de resolver a própria vida
 
E da sua misantropia transbordavam palavras de ressentimento e de ódio
E, assim, ele comia-se de raiva
Enquanto chispava impropérios
Em plena Sexta-Feira Santa
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Tarde de maio

Manoel Sobrinho Gerar poema da máquina
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  •        
Não sou dos que murmuram flores;
Não sou dos que enganam o dia;
Não sou dos que morrem á
sombra fria!
Também não sou dos que reclamam dores.

Não conto estrelas cadentes
em amores;
Não guardo em mim
Apatia;
Não carrego em minh'alma
Galhardia;
Também não tenho apego
A valores.

Não sou dos que gastam
Favores;
Não desperdiço sonho
Em calmaria;
Não sou dos que tem
Valentia;
Também não me curvo
A caçadores.

Mas dou, ao mesmo amor,
Amores;
Também dou o riso fácil
Que seria,
Do poema construído
Em poesia
E admiro no jardim
As belas flores.
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1-Aura;2-Orvalho

VÊNUS Gerar poema da máquina
  •        
Que luzes são essas,
que refletem de ti?
Refletem das frestas, 
de teu coração. 
Resplandecem em teus dias,
Brilham na noite,
Vê-se ao longe, o brilho da luz,
Absorve, transpassa,
vibra,
Com intensidade tamanha,
Que aos olhos de quem vê, 
Ofusca!
De quem é  cego!
Percebe-a!
Que luz é  essa?
Que luz!

2-Orvalho 

Serena a alma que se deleita,
Com a pureza do orvalho da saudade,
Pétalas que se desprendem, 
Com pequenas gotas,
Libertando-se ao vento.
Perfumes intensos
Com que percebe a existência, 
Fica indelével,  suave.
Como se pura fosse.
Soberano,
Livre  e sensível. 
Este é o sentimento da alma,
De que sutil é  a natureza.
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Soneto de Arvers

Henrique Vitorino Gerar poema da máquina
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  •        
Minh’alma tem mistérios e segredos.
Do amor que apareceu-me por inteiro,
sequer imaginou-lhe o cavalheiro
que em mim plantou a dor, a falta e o medo.

Pois sombra então serei! Piedosamente
serei um pobre bardo sem afeto – 
pois mesmo estando vivo e tendo-o perto,
o amor não quis me dar, infelizmente.

Por Deus assim formado, tão garboso,
nem vê que fico aos cantos, desgostoso,
que pena que não pôde me entender...

Mas se ele perguntasse com apreço
“Quem foi o felizardo destes versos?”,
aí que eu lhe diria: foi você.
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FÊNIX

Sonia Salim Gerar poema da máquina
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  •        
Enxuguei as lágrimas, vesti uma roupa ousada
ajeitei os cabelos, passei o batom
colori e alegrei a face marcada
Saí a viver como se nada estivesse acontecendo
 
Antes disso eu chorei e sofri demais!
Joguei minhas roupas no chão, uma a uma
A minha angústia e meu corpo
não vibram com a aceitação
sofrimentos e anseios
Coração dolorido
A impotência diante das ações
eu quero mudar e não consigo
esta é a minha triste melodia
 
Milhões de pessoas vivem assim
E precisam saber deste relato
o marco inicial da transformação
de uma mudança lenta e gradativa
 
Eu, nua diante da vida e de todos
sentimentos expostos
caída no chão
 
Fênix no renascer das cinzas
para a vida
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Em primavera renegada

Ricardo H. Gerar poema da máquina
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  •        
Vivia em lápis e caderno
Perdida em devaneio.
Em verso, em estrofe
Nas primaveras e seus restos.

Em meia-noite escrita por homem
De cunho estrelado
Vive a ansiedade alheia
Que treme; frio ou calor qualquer
Que chora; plenitude ou tristeza atrofiada. 
Dentre as sete noites terrestres
Tornei-às todas minha bagunça, sozinha.

A calamidade do inverno
Me trancou em pensamentos
Pele alguma era pura
Suja, suja e suja.
Dormi em medo
Sem coração nem desfecho.
Acordava em angústia
Me afastei das rimas.

Tornei-me amargor
A cabeça era sempre vazia
Sem futuro, sem ambições
Não tinha esperança no fim do dia
Mas nunca deixava de pensar em quartos brancos.
Me esgotei: nunca deixei aparentar
Me odiei: nunca deixei cicatrizar
E era segredo.

Mas a vida se remontou em
Poemas: verso por verso
Estrofes em completo
Era falha, mas era poesia.
Em primavera renegada, me deixei florir
Esquecido por mim
O sentimento de se encontrar à beira do mundo.
Me deixei levar, e perdi

Escrevi em papel velho, amassado
Recuperei a cor que fora resistida.
Esvaziei o peito
Suspirei como brisa
Em meio a vida perdida
Me achei em ventos adentro.
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Liberdade a Zé Filipe

Maicon Melito de Souza Gerar poema da máquina
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  •        
Preso num espaço mínimo,
Desesperado por sua liberdade,
Empoleira em cada canto,
Debate contra as grades.

Cansado, com olhar vazio,
Encolhe o corpo franzino,
Um lapso de calma
Contrário aos seus instintos.

Não é prisão temporária,
Tampouco é prisão preventiva.
O cárcere é legal,
A prisão é definitiva.

Apelamos por sua felicidade.
Deus tocou o proprietário,
Foi concedida liberdade incondicional
Ao semovente passarinho engaiolado!
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Cabimento

Beatriz Badim Gerar poema da máquina
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  •        
às vezes a gente não cabe
dentro da gente
e tenta caber 
no outro
nos outros
que estão dentro
(e fora)
de quem
imaginamos
que somos

e por não caber
esquece do que estava
de fato
procurando
corta pedaços
se esgarça
se rasga
para ter a sensação
de fazer parte

apalpar a falta de si
é tatear aquela
ferida
de joelho ralado
ao cair de bicicleta
na rua da frente
de casa
quando tudo era
mais
simples

arder para curar
criar nova pele
para crescer
para caber
nas muitas versões
de quem se
é
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Capa Vermelha

goma mascada Gerar poema da máquina
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  •        
Há um livro a menos na estante 
Nela ainda há vários outros 
Romances, tragédias e contos
Mas continua com um buraco 
Onde havia o livro que sumiu da estante 

Clássico sobre o ato da escrita 
Me conquistou à primeira vista
Porém me encontro míope 
Quando não o percebo mais 
O buraco que preenchia é limitante 

Ninguém nota o que falta 
Nem mesmo o que há
Não queria esse triunfo de ver 
Muito menos ser a dona 
Da maldita estante que
Um livro a menos nela há
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