Visualizando o varal de 2020

Saudades

Martha Zimbarg Gerar poema da máquina
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Me lembrei de você 
Bons momentos 
Saudades de você 

Penso então 
Que triste nossa felicidade 
Ainda que tarde 
Findou 

No fundo de mim
Tem você 
Cravado no meu peito
Como uma pedra
Sem tempo...
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Vidas e vindas

Patrícia Silva Gerar poema da máquina
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Quando imaginei que pudesse olhar, e num instante,
Te amar.
Quando de tão longe viemos, tanto buscamos e sem querer,
Nos encontramos.
Idas e vindas 
Tantas vidas vividas
Passados...
Futuros pensados
Mas no presente, amados.
Te amo aqui e agora
E o que importa 
Quem foi outrora
Se você comigo estiver 
sempre será
O agora
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Pulsões

8tor Gerar poema da máquina
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A pulsão de morte não para de gritar
Grita mas aglomerações da pandemia
Ou até numa simples ida a academia
E talvez seja impossível faze-la calar
Mas ela sempre esteve presente
Desde a falta de cuidados pessoais
Quanto em expressões de ódios plurais
Evidente na eleição do tal presidente
Onde está a pulsão de vida nessa hora?
Ela deve disfarçada, de role pela cidade
Por exemplo nas redes de caridade
Pode ser por um sinal claro de melhora?
Elas só estão por ai, neles e em mim
Eu não sei mais qual delas é reação
Nem qual deu origem por uma ação
Talvez o fim seja o começo e o começo o fim
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A saudade tem tudo, mas não tem rosto,
este pertence ao esquecimento. 
O nome vai se apagando, 
fica difícil saber as datas.

A saudade trás tudo que 
mais importa no outro.
Risada, jeito que o cabelo cai no olho,
como gosta do chá, o prato preferido.

A saudade trás tudo que
mais importa no outro.
A música preferida, trauma de infância,
um medo de adulto, a voz alegre ou triste.

A saudade trás tudo que
mais importa no outro.

O rosto pertence ao esquecimento 
porque a saudade não se importa com 
beleza. 

A saudade toca outra beleza.

 corre nas veias,
 escorre pelos olhos,
 ecoa do peito.

Vida.
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Cidade

Carmo Jesus Gerar poema da máquina
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Linhas retas
modulando,
seguir, ser, pensar.

Minha sinuosidade
desavergonhada
insiste, resiste.

Nosso amor
contraditório
inconsciente,
luminar.

Calor solar”
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Beijo Mascado

Abel Coelho Gerar poema da máquina
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Página em branco
Canção sem palavras
Suspiro

Um risco arrisca a palavra
A pena me falha no meio
Soluço

A palavra vale o poema
Segue a mão o que dita o coração
Arrepio

Poemas precisam de palavras
Alguns pedem silêncio
Tento

A vida passou hoje por aqui
Deixou gravada sua escrita
Marco

Faço poesia como vento
Dissipo ideias sobre seus cabelos
Desfaço

Queria saber escrever com seus lábios
Morder as palavras, sugar o sentido
Beijo
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Nem Tudo será tão simples

Augusto Torah Gerar poema da máquina
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Nem tudo será tão simples.

Uma borboleta não fica pronta em
Apenas meia hora dentro de um casulo. 
Ela sabe disso.

O céu não ficará mais claro se o girassol persistir em ansiar pela luz.
Ele sabe disso.

Assistir a animação de Coraline acompanhado pela primeira vez ou sozinho pela décima quarta não é mesma coisa. 
Eu não sabia disso.

Cachorros conseguem amar independente da raça. Sabia disso?

Seu tempo não irá voltar se você usá-lo para se preocupar com quem seu vizinho recebe em casa em plena 14:00hs.
Saiba disso.

Você não será mais intelectual se ofender quem se simpatiza com funk. Sabia disso? 

Ninguém é menos amado se tiver poucas notificações. Não souberam disso.

Sua calçada não ficará mais limpa se você se propor a realizar uma lavagem em pleno temporal. Mas será engraçado.
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Retrato

Luiza Sidraque Gerar poema da máquina
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No retrato que me faço 
Às vezes me desgasto 
Às vezes fico exausta.

Às vezes me vejo calada 
Pensando na insensatez 
E na escassez de amor. 

E desta vida, desta luta
 __  pouco a pouco __
Deixo tudo, me desfaço. 

No final, o que restará?
Um poema de uma jovem
Que não quer continuar. 

Luiza Sidraque Santos
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Mentiras

Martha Zimbarg Gerar poema da máquina
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Mentira

Mentir para o ser amado 
Ė muito mais do que pecado
Ė uma flecha no peito
Uma dor sem aconchego
A furia  das tempestades
Um poço de maldades.

Se mentes pra garantir
Deves ao menos refletir
Mentira é um machado
Que decepa o bem amado
Reduz amor a pecado
 E destroi  um  coração.
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NACIONAL JORNAL

Jorge Claudio Ribeiro Gerar poema da máquina
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NACIONAL JORNAL
O caminhão do frigorífico
parou nos fundos do
hospital. Uns mortos 
cedem lugar a outros mortos.

Uns mortos, aqueles, 
passaram por nossa 
geladeira, panelas e 
acabaram fumegando em 
nossa mesa.

Têm sorte os outros: agora 
repousam no caminhão frigorífico, 
à espera de caixão e condução
até o destino de onde vieram.
Não estão, como esses daqui, 
esquecidos em salas vazias, 
fedendo ao ar livre 
ou jogados sobre macas, 
vizinhos de quem suspira sua hora. 

Mal embalados (esses daqui) 
nos lúgubres sacos plásticos cinzentos, 
pés pra fora, pingam suas 
excrescências, seu criatório 
de infecção.

(No céu, rondam urubus)
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Poema da Máquina

Sugerido por: Maria Lucivânia Alves Maia

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que esta vida são dois hospedeiros
canto a vida até ser milénio
vai sempre mistificar por sonhar
não sonhar o braço a mistificar

todo tempo, o dia inteiro
na vida que segue o hospedeiro
é a vida crítica das jornadas
este tempo de etapas paradas

que a uma vida ou subsistência
fui à vida beber experiência
das camélias que trouxeram flor
quero sonhar como um sonhador

por não querer nem rapaz nem pequeno
ameaçando o tempo primevo

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POR FIM

Giselly Rocha Gerar poema da máquina
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Todos os meus sorrisos
Foram verdadeiros e sinceros 
Pena que você não percebeu
E por fim depois escapar a sua bela amada
Dentro dos seus sonhos 
Você ainda a vê 
Mas ao mesmo tempo em que a vê
Não a reconhece
Por que de tal forma
Deixou escapar o seu diamante
O sol do seu dia se foi
E só restaram saudades
Do que já foi vivido
Mas que por fim
Foi terminado.
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Arcturo

Ju Novello Gerar poema da máquina
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Vago ao acaso, sem destino certo,
Minha vida nas austeras mãos da Sorte,
Mas não temo as tempestades do deserto:
Minha bússola é a estrela ao Norte.

Seu brilho intenso é seu legado,
Sua constelação, meu caminho constante.
Fielmente a sigo no céu estrelado,
Irredutivelmente distante.

E segue sendo apenas contemplada:
Zeus fez do meu amor estrela, e, assim,
Fadado à distância e ao nada.

Mas ainda que nos separe a alvorada,
Aquele astro ao norte, p’ra mim,
Terá sempre o nome da minha amada.
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Nem liberal, nem fascista: infantil.
Verdolengo, tens falso amadurece.
Gafanhoto é fértil no Brasil,
Semente porque grão deveras messe.
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Fantasma

Pamela Mattos Gerar poema da máquina
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Me chamou de meu bem 
porque amor era muito.
E demasiadamente só
já me bastava. 

Não estava demais,
era demais.
Dava-se ou tomava-se
Nunca nas entrelinhas.

Disse tudo e tanto. 
Abriu os olhos, a boca
o ouvido, os braços, 
as pernas, as mãos,

Diante de mim 
enfiou as mãos 
nas entranhas e puxou 
Entregou-me: 

Pulsante, sangrento,
tudo que eu mais desejava
de todas, não dela. 

Dava-se assim. 
Tudo ou nada.
Fogo ou gelo.

Não há cuidado 
que me desperte o 
ficar.

Desapareço.
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Quarentena de Outono

André Vaz de Campos Tourinho Gerar poema da máquina
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Quarentena de Outono

Mal acabo de chegar à vintena
Aniversariando em quarentena
A adolescência aqui se encerra
Heis de mim segunda década

Porém, o mundo nosso exige mais
Do que divagar sobre questões particulares minhas
Acordamos das anestesias banais
Nova doença fora precisa para curar velhas feridas

Celebro a vida entre cercas
Pois lá fora o algoz é invisível
Na tosse, no toque 
De quem quer que seja
Não há rosto, casta, cor, pátria ou rito
Alvo todos, salvo ninguém, tampouco invicto

Das coberturas da Graça e Vitória
Às favelas do Retiro, deserto visto
Em absoluto tudo, cena histórica
Como se nada houvesse existido

Um povo que despovoou sua terra
Aos moldes dum êxodo domiciliar
Até as praças de consumo decidiram cessar
Tais quais as turbinas de sovinas, como será?

Feito formigas na iminência da chuva
Percebemo-nos pequenos numa luta
Após séculos de avanço e progresso, o inimigo
Nada mais nada menos é do que microscópico

Raul Seixas, sim, ele, 
Falhara em profeta serdes
O dia em que a Terra parou não chegara
Soberano geoide plenamente translada
Somente a humanidade, de corpo,
E, quiçá, alma, curvou-se ao Todo

Já o homem enquanto ser não desiste
Por isso, não há de prever fim de fins 
Quantas pragas e estiadas vencemos
Tal advento como alerta tomemo-nos

Muito exalta-se nas estações demais
O verão pela atmosfera tropical energética
Praias, biquínis, bronze à pele e carnavais
Pelas cores e flores a brotar, a primavera

Mas sábio revelou-se o outono prudente
Que, em tempos correntes, dos outros à frente
Prepara a folhagem a invernos incertos
Contudo, não desanimeis assim tão fácil
Mesmo em final de enredos, há posfácio
Com frescor esperançoso de menino
Cajado bata que nada está perdido.

André Vaz de Campos Tourinho
08/04/20 - Salvador - BA
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Numa casca de noz

Amélia Piagno Gerar poema da máquina
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És infinda água marinha
Sondas, ondas, não definha
E nós? Que somos? Somos quê?
Nunca praia, talvez rodo
Talvez papel, nunca estorvo
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Minha tábua é a escrita.
Minha voz, liberdade.
Meus pensamentos e sonhos, alteridade.
Das vírgulas aos pontos, alguns desencontros.
É por aqui que também viajo e me reencontro.
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Poema da Máquina

Sugerido por: Jose Luiz Goldfarb

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brincar, fuzilar e reluzir
brincar, editar e imprimir
psicrómetro p'ra novos higrómetros
os proletários no indivíduo

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Separaram-se

Antonio Fais Gerar poema da máquina
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Separaram-se
Quiseram-se bem, mas...
Não há bem que sempre dure
Dizem
Separou-se parece mais preciso
Por partir de um a proposta
Mas, aceita...
Separaram-se
Quando um não quer
Dois não brigam
Dizem também
Quando um não quer
Dois não se amam
No mais largo sentido da palavra
Separaram-se
Não se desejaram mal
Nem bem, é verdade
Fracassos futuros fariam ver que
“o bem estava bem ao seu lado, meu bem”
Separaram-se com certo alívio 
De chuva em tardes quentes
Separaram-se
Como água e óleo
Talvez nunca tenham se unidos
 
Separaram-se
De corpo e ... 
É! A alma demora um pouco mais
Separaram-se 
Sem medir que na primeira manhã
Buscariam braços e bocas
Procurariam pernas e pés
Umas dentro
De outras em voltas
Separaram-se 
Sem saber sextas e sábados
Tênues tardes de domingo
Separaram-se
Quiseram-se mal
Mas como
Não há mal que nunca acabe
Separaram-se
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