A Rosa Celeste

Henrique Vitorino Gerar poema da máquina
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(Ao tio Nelson, em visita póstuma)

Levei a rosa branca em tua tumba,
no entanto, não a viste nem provaste
desse olor que o meu peito já perfuma
e alivia a saudade que deixaste.

Fiquei em solidão no campo santo:
a dor, a flor e eu, na eterna espera.
Cantei-te mil poemas de acalanto...
Nada sentes, estás em outra esfera.

Nem precisa, meu tio, me agradecer,
muito menos me dar alguma prova
de que o amor sobrevive por inteiro.

Nenhum milagre é tão verdadeiro
quanto a rosa branca em tua cova,
pois nela tu pudeste florescer.

[Contribuição de Antonio Thadeu Wojciechowski]
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DERRETIA

Débora Aoni Gerar poema da máquina
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sombra, fumaça, porão escuro.
"how soon is now" socando as caixas de som.
sua silhueta surgiu contra a luz do canhão de chão.
inferno na torre.
o caos se instaurou.
te vi e dancei como se fosse morrer.
você me contornou como se fosse me beber.
sombra, fumaça, porão escuro.
seus cabelos loiros de anjo.
senti quando me rodeou.
senti quando dançou em mim.
rebolei fingindo estar rezando. para machucar mesmo.
sombra, fumaça, porão escuro.
olhei com olhos de lince.
te deixei achar que me seduzia, quando, na verdade, quem seduzia era eu.
luzes piscantes, não via seu rosto.
eram minhas botas de couro e seus cabelos de anjo, os dois, dançando em meio ao caos.
sombra, fumaça, porão escuro.
senti quando te lacei. senti demais.
descobri que existe música no inferno. 
inverno.
te arrastei para meu mundo, que naquela noite
der
re
tia.
sombra, fumaça, porão escuro.
dancei para ti como puta e como mãe.
você? não mudava de ritmo. ritmo zumbi. hipnotizado.
fechei meus olhos quando te senti perto o suficiente para escutar seu coração - em meio à sombra, fumaça, porão escuro - bater muito forte:
ESTOU-PERDIDO. ESTOU-PERDIDO. ESTOU-PERDIDO.
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Minha tábua é a escrita.
Minha voz, liberdade.
Meus pensamentos e sonhos, alteridade.
Das vírgulas aos pontos, alguns desencontros.
É por aqui que também viajo e me reencontro.
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No dia em que morreu
por amor,
logo após o enterro,
foi pro meio da rua e tomou um porre de solidão.
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Nós somos nós
De fortes braços
Suaves dós
Um só compasso
Em plena voz
Doces abraços
Somente nós
Atados laços
Eternos nós
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A PELE DO ABISMO

Carlos Gildemar Pontes Gerar poema da máquina
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A PELE DO ABISMO

Ando sobre a pele de um abismo
como quem anda numa fina camada de gelo de um rio 
vejo o perigo debaixo dos meus pés
Um cão raivoso ladra na margem direita
Um hipopótamo me espreita na margem esquerda
Atrás de mim um dromedário rumina
Na minha frente a esperança 
me faz arriscar atravessar o medo 
e tirar a cortina de pedra dos meus olhos.
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Fáscio

Paulo D'Auria Gerar poema da máquina
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tenho medo do mar no raso, onde há buracos
tenho medo dos fatos óbvios, fáceis de engolir
tenho medo do dia claro, quando é preciso andar nas sombras
tenho medo é da estrada segura

tenho medo da mediocridade da média
tenho medo da certeza do certo
da certeza absoluta
da lisura do liso

queria saber quem passou escritura
para o dono da razão
queria saber qual instituto fez
o levantamento do censo
comum

eu tenho medo é da maioria
do pai de família que não tem nada a temer
e da sua filha mais direita

tenho medo do cidadão de bem
trocando receitas na sala de jantar

tenho medo de homem que não chora
é entre uma rabanada e outra
que se derrama o leite

tenho medo do açúcar refinado
e de quem está sempre voltando com a farinha

tenho medo do mar no raso
do raso, do raso
tenho medo é da flor no vaso
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Descartes

Antonio Fais Gerar poema da máquina
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Diz dizer o que pensa
Diz pensar o que diz
Diz farsa com ofensa
Dispara boca infeliz

Descartes apenas de verbo
Cogito inútil saber
Ergo diante de nada
Sumo um pouco com tudo
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Impaciente

Augusto Torah Gerar poema da máquina
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Impaciente

Enquanto uns anseiam por por amor,
Outros precisam vitaminas.

Se nem todas as nuvens obedecem suas preces,
Por qual motivo seus 
desejos
 Seriam atendidos de imediato?

Seria o meu coração uma bola de linho
E ela as garras de um gato?

Eu fico indeciso se não te procuro
Se te procuro nem sempre disponho
De palavras certas.
Por que usar palavras se teus gestos são ma
is ricos e sempre verdadeiros?

A solidão que me ofereceu o amor pela liberdade é mesma que me afasta da relevância da caridade.

Seus olhos combinam com teus lábios, tuas maçãs combinam com seus cabelos, mas minha expectativa nem sempre combina com tua atenção.

Sou tão eficiente em desapego que não há flor que não me faça lembrar de tuas maçãs.

É você. Ultimamente tem sido você.
Eu faço questão que continue sendo a razão dos meus sorrisos espontâneos.

Eu não sou impaciente. São as endorfinas que Ainda continuam a ser produzidas. 
Você é linda. Você sabe disso. Beijo.
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PRETEXTO

Rita Taliba Gerar poema da máquina
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PRETEXTO


Preciso de um pretexto
- para não ler o texto
- para escrever o verso
- para rever o gesto

Preciso, urgentemente, de um prexto
 - para perder a hora
 - para viver o agora
 - para entender o fim

Preciso, mais que nunca, de um pretexto
 - para ir mais a fundo
 - para culpar o mundo
 - para gostar de mim
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Eu já quis

Anne Xavier Gerar poema da máquina
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Eu já quis me esconder,
Quis que ninguém me visse,
Quis amar loucamente,
Quis que o meu eu não existisse!
Quis ser uma fantasia,
Um capricho do universo,
Uma boba alegria,
De um réu confesso!
Quis ser amada,
Desejada com alento,
Querida na mesa de um almoço
Um genuíno contento,
Quis ser refrigério,
Desejo oculto da alma,
De jovem apaixonado,
Que escreve e não fala,
Quis ser uma canção,
Melodia de ninar,
Pagode na feira de frutas
Jeito suave de cantarolar,
Quis ser a mocinha do filme.
A filha amada da novela,
Quis ser branca de neve,
Usar o sapatinho da Cinderela,
Quis ser chuva no deserto,
Quis ser paixão esquecida,
Quis ser amor proibido,
Do amor de uma grande amiga,
Quis se alguém no palco,
Quis ser alguém no oculto,
Quis ser o silencio da voz
De um belo jovem louco,
Quis ser poesia,
No declamar de um poeta,
Quis ser andarilha na vida,
Que nunca se aquieta.
Quis ser chuva de verão,
Quis ser sol escaldante
Quis ser um coração,
De lembranças aterrorizantes,
Quis ser rica é temida,
Dona de muitas heranças
Quis ser pobre e linda. 
Cheia de esperanças,
Quis ser mulher branca,
Quis ser negra de tranças,
Quis ser donzela amada,
A inocência de uma criança.
Quis ser dançarina de boteco,
Quis ser top da balada,
Parceira, que se quer por perto!
Convidada lembra,
A alegria da festa,
Avó de muitos netos.
Beata confessa. 
O infinito do universo. 
Quis ser noiva apaixonada,
Temente, cristã.
O arrastar da lagarta,
O sol da manhã. 
Quis ser coroa de ouro,
Moleca palhaça,
Quis ser tudo no mundo,
Outra, quis ser nada,
Quis ser o querer de alguém,
O sonhar na madrugada,
Quis ser o chamado “meu”,
De todas as coisas que quis,
Só não quis ser eu.
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MINHAS LINHAS, MEUS TRAÇOS

Juares de Marcos Jardim Gerar poema da máquina
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Minhas linhas, eu faço
meandros, caminhos,
apago, refaço, afago
estradas e trilhas
alinho desalinhos
percorro, não corro, fio desfiando.

Montanha, praia, mar
ao vento levando
sonhos, fantasias
voos alçando
sorrindo, brisando
tropeço, caio, me apoio
levanto, reinvento.

Prazeres renovo
nas fontes bebo
na emoção recarrego
aos abraços me entrego
Aos beijos me esfrego
Avanço, invado, me esbaldo
Exalo.
(Juares de Marcos Jardim - Santo André - São Paulo-SP)
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Aliterações

Lucivânia Maia Gerar poema da máquina
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O som do sino 
rompe o silêncio 
da noite.

Atravessa o sono 
interrompe os sonhos
daqueles que vagam 
pelas ruas vazias.

No final restará apenas
as sombras e o pavor 
daquela madrugada 
na cidade vazia.
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Atravessando o silêncio

Nayara Brito Gerar poema da máquina
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Como a luz 
Que perfura o oceano
Até o infinito 
Assim como o som 
Que rompe o silêncio do deserto

Eu imagino você 
Imagino a sua sombra 
Rompendo a escuridão 
O breu do meu próprio corpo 
O oco do meu coração de osso.

Seu punho perverso 
Encena uma cena de amor.
Uma fenda que se abre
No Mar Vermelho
Essa fenda 
é o próprio mar. 

Nayara Paula Silva Brito
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Mentiras

Martha Zimbarg Gerar poema da máquina
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Mentira

Mentir para o ser amado 
Ė muito mais do que pecado
Ė uma flecha no peito
Uma dor sem aconchego
A furia  das tempestades
Um poço de maldades.

Se mentes pra garantir
Deves ao menos refletir
Mentira é um machado
Que decepa o bem amado
Reduz amor a pecado
 E destroi  um  coração.
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saltar do ar para o arame
facear o afamado infame

glosar a ganância vil
preservar o pau brasil

lavrar a lavoura arcaica
com versos de veia voltaica

resistir ao aplauso avindo
saber-se ser vil servindo

romper com o referendo
renascer ainda morrendo

ser poeta não é objetivo
ser poeta é objetar

e manter-se vivo
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Vida plena e amor

Garzón Medina Gerar poema da máquina
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Reunidos em amor fraterno e companheirismo

Sob as asas protetoras da Divina Mãe

Cientes de que o amor em si é o sangue que dá a vida plena, e une todos os membros do corpo

Amar a todos como a si mesmo, conecta todos os membros do corpo Divino
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Cumplicidade

Carol Aspen Gerar poema da máquina
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Quando menos se espera
Você encontra uma escuta
Um coração que está aberto
E fortalece sua luta

Ombro amigo, parceria
Alegria por seu ser
Aquele abraço, companhia
Te dá forças para viver

Seu problema não parece
Insignificante e sem sentido
Afinidade na estrada 
No caminho percorrido

Um olhar sem julgamento
Uma fala de coração
Uma troca, uma ajuda
A palavra sem sermão

A palavra que não julga
Te ajuda a perceber
Que a vida vale a pena
Na essência de viver
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Eu sou de um tempo

Sabrina Systa Gerar poema da máquina
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Eu sou de um tempo
Onde as estradas eram de barro
E o carro do arado era puxado por escravos
Nossa Senhora sempre teve de um lado
E Yemanjá do outro lado aliviando toda a dor
E bem no meio de toda a desigualdade 
Sempre há uma bondade
Resgatando o povo da dor
E lá distante bem no morro
Lá no alto a crioula a chorar
Com desespero e ardor
E a Sinhá lá da casa escutava
E também penalizava 
Vendo o povo sofredor
A Sinhazinha sem poder 
Para fazer desespera e sem saber
Que seu choro era encantador
E Yemanjá lá do mar
A escutar teve pena da crioula
E a resgatou pra alto-mar
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Cidade mágica e pura

Clara Mathias Gerar poema da máquina
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Poema dedicado à minha cidade 

Cidade mágica e pura 

Cidade mágica e pura 
Toda trajada de luz 
Tem a beleza de Cingapura 
E um encantamento que me seduz.

Trazendo luz e amor 
Com o seu imenso esplendor 
Com a beleza de um beija-flor 
Eis aqui um narrador. 

Teu céu ilumina 
Tua cultura nos ensina
Tua paz me alucina
Teu valor nos fascina. 

Não há como negar 
Aqui é o meu lugar 
Sua grandeza e nobreza
Não canso de admirar. 

Autora: Clara Mathias Campos
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